"Charli XCX: The f- word and me"



A palavra a que o título deste documentário da cadeia televisiva BBC, apresentado pela cantora e compositora inglesa Charli XCX, alude é feminismo. 
De facto fala-se de feminismo mais do que nunca, com Beyoncé a apresentar o termo a letras garrafais nos seus concertos, pelo que se revela pertinente explorar o que é ser uma cantora na indústria musical. Foi o que este trabalho, dirigido por Clare Travenor, com 45 minutos de duração e que estreou a 24 de Novembro de 2015, se propôs fazer.
Numa altura em que as mulheres parecem dominar as tabelas musicais da música pop, Charli XCX vai aonde tudo começou: as suas influências ao crescer e vemo-la a assistir "Baby one more time" de Britney Spears e "Say you will be there" das Spice Girls e comentar como é importante não dissecar demasiado este tipo de trabalho visual e apreciá-lo por aquilo que é: algo divertido e inspirador, com valores simples como a união e amizade feminina. Nos tempos actuais, a cantora ressalta a ousadia de Miley Cyrus e de Rihanna em "Bitch better have my money".
Todas as estrelas musicais sofrem escrutínio público e a intérprete de "Boom clap" não é excepção mas ressalva que o feminismo não está na sua roupa e não deve ser julgada pelo tamanho das saias que usa. 
O que significa feminismo hoje em dia? Não parece haver uma definição unívoca deste termo actualmente e a própria artista não tem certeza em que tipo se enquadra. Continuam a haver estereótipos, em que não se espera que uma mulher seja baterista, por exemplo ou que assuma uma posição de poder como ser uma das donas de uma editora discográfica. Isto fica claro nas conversas que a cantora tem com um dos membros da sua banda totalmente feminina, a baterista Deborah Knox-Henson e a executiva musical e membro do duo MS MR Lizzy Plapinger.
O documentário inclui entrevistas muito interessantes com Marina and the Diamonds e Ryn Weaver sobre o olhar dos outros relativamente à sua condição de mulheres e as acções que tomam para exercer a sua liberdade pessoal e criativa (Weaver fez correr tinta ao deixar crescer os pêlos nas axilas).
Acompanhamos ainda a digressão de Charli XCX para promover o segundo disco de estúdio "Sucker", a sua personalidade efervescente e opinativa. A artista mostra indignação com as pessoas que procuram rotular e colocar numa caixa artistas sem perceber realmente a sua mensagem e termina o documentário expondo as suas dúvidas e inquirindo-se sobre o que é ser uma artista nos dias de hoje, independentemente do género. 
"The f-word and me" oferece mais questões do que respostas mas é um bom exercício crítico e informa-nos das pressões e responsabilidades que ser mulher no mundo da música acarreta, pelo que merece ser visualizado. 



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