As mulheres na política

Sabemos que na vida temos de fazer escolhas, que por vezes implicam abdicar de dimensões que gostaríamos de aprofundar mais a fundo mas que infelizmente ficam pelo caminho. Querer ter todas as coisas ao mesmo é legítimo mas não mais distante do que é a realidade. 
No entanto, não há nada de mais desolador que viver sobre condicionantes pesadas e adversativas que parecem limitar a nossa individualidade, a capacidade de pensarmos pela nossa própria cabeça e nos expressarmos livremente. É como se fossemos seguidos de perto por uma sombra castradora, uma espécie de corporativismo do sistema que nos quer estandardizar, tornar a todos iguais. Fazer-nos acreditar que vivemos quimeras, que afinal as nossas ideias não são concretizáveis.
Há alguns meses li um artigo de opinião numa plataforma feminista que me deixou muito triste: uma jovem rapariga dizia que por ser mulher não aspirava a ser Presidente da República porque se decidisse engravidar ia precisar do tempo de licença de parto e a política a alto nível não se compadece da necessidade de equilibrar uma nova vida familiar com cargos de alta responsabilidade. Reconheço que todos tempos direito de pensar o que seja e transmiti-lo aos outros mas por que não acreditar que podemos ser o que quisermos, que podemos saltar todas as barreiras que nos detém e ir mais além até do que imagináramos?
"Torna-te naquilo que és" é uma frase do filósofo Nietzche que creio adequar-se na perfeição aos tempos conturbados que se vivem actualmente. Numa altura em que nos Estados Unidos, ainda centro nevrálgico do mundo Ocidental, se disputam as eleições presidenciais e pela primeira vez existe a possibilidade real de uma mulher, Hillary Clinton vencer, será ingénuo pensar que ainda é possível mudar o mundo ao mudar-nos a nós mesmos?
Nunca como antes se falou de questões de identidade de género, do acesso ao poder através do valor pessoal (meritocracia) ou quotas (percentagens pré-definidas para as mulheres que ainda estão em minoria nas profissões políticas de topo). Será utópico acreditar que não são precisas essas quotas para as mulheres chegarem onde é suposto, isto é, aonde quiserem?
Não se trata de especular quem domina o mundo no século XXI, trata-se de procurar um equilíbrio, de reconhecer o que é justo, de buscar uma igualdade que infelizmente ainda não existe. Para tal as mulheres têm de ser autênticas, enfrentarem os seus medos de frente e acima de tudo não terem medo de assumir as suas ambições, mesmo que seja ser Presidente da República Portuguesa porque como diz uma novela televisiva, o impossível só é impossível até acontecer.

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