Páginas em branco


É difícil desenhar o amor ou explicar o que faz dele aquilo que é, tão poderoso, intrigante e indefinível. Às vezes funciona, outras sentimos que perdemos o nosso tempo ao esperar por um gesto que não veio, ao sonharmos em vão com momentos que nunca se concretizaram. Muitos não conseguem aceitar que o amor se revista por vezes de mágoa, frustração, de tantas palavras que ficaram por dizer e que formam autênticas pedras entre duas pessoas que era suposto serem uma só. 
A solidão deturpa os factos, a emoção turva-nos a capacidade lógica e racional de ver as coisas como realmente são. Tornamo-nos reféns de um sentimento e a pessoa amada o algoz que nos atormenta. Deixamos de nos reconhecer ao olhar ao espelho, queremos evadir-nos para uma realidade paralela, redentora e doce, que não existe. Somos almas sem descanso e vítimas da nossa própria forma de amar. Nada parece satisfazer ou preencher o vazio, as páginas em branco aterrorizam-nos. Temos medo que o não haja seguimento nos capítulos do romance que vivemos e que este termine abruptamente sem um final feliz. 



A verdade é que nada no mundo nos pode ensinar como amar, não há respostas previamente elaboradas, não há um manual de instruções, ninguém pode dizer o que é certo ou errado. Não se pode julgar algo tão subjectivo como amor. À partida todos temos boas intenções e vontade de o fazer durar mas quando as dificuldades nos testam é que sabemos o que é real ou não. O tempo pode ser um bom conselheiro e professor, faz-nos aprender que nem sempre quem amamos é feito para nós. E, que é possível encontrar na desilusão e mágoa, tanta beleza como no maior júbilo à face da terra.
Aprender como amar é aceitar que não sabemos praticamente nada e que podemos nos magoar terrivelmente a meio do caminho mas iremos sempre chegar a algum lado. Aceitar que as páginas em branco se irão preencher e tudo revelar, que às vezes um beijo pode esclarecer todas as dúvidas, responder às questões mais complexas, ser tudo o que sempre sonhámos.





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