"Anna Karenina" de Leon Tolstói







Este é um clássico da literatura universal que já tinha como obra inacabada para ler há largos meses não só porque é um volume grande mas também pela densidade e complexidade dos temas que aborda.
Em primeiro lugar, temos o adultério cometido por Anna com o Conde Vronsky pelo qual ela é duramente punida a nível familiar e societal. Os dramas dela, a sua instabilidade mental, a imensa vontade de ser amada sem ter de abdicar do seu filho primogénito (afetivamente chamado Serioja) causam uma fratura na personagem que ela nunca vai acabar por sarar, culminando no seu trágico suicídio na estação de comboios.
É de salientar para o Conde Vronsky, um oficial homem, as consequências não são minimamente tão severas como para Anna e continua a fazer a sua vida normal: ir à corridas de cavalos, a jogos, a eleições políticas e a usufruir no geral de boa reputação apesar de estar a viver com uma mulher casada. Anna, por seu turno é ostracizada por todos e só tem o amor de Vronsky em que só apoiar começando rapidamente a imaginar que ele a vai trocar por uma das pretendentes sugeridas pela mãe dele. No frágil estado em que se encontra, tudo gira obsessivamente à volta de Vronsky e muitas vezes precisa de tomar morfina para conseguir dormir à noite.
As qualidades de Anna: é sensível, bela, graciosa, gosta de crianças, escreve contos infantis, são que lentamente diluídas pela torrente da instabilidade do seu sistema nervoso.
Se como se diz no ínicio do romance "As famílias felizes parecem-se todas, as famílias infelizes são infelizes cada uma à sua maneira", cada vez mais a vida conjugal de Anna e Vronsky é como o aviso do Deuterónimo XXXII, 35 "Minha é a vingança e eu vos darei o pago". O casal vive numa tensão e cobranças constantes até ao desenlance final.
O elemento redentor do romance é a história de amor entre Levin e Kitty, que inicialmente o tinha recusado por estar apaixonada pelo conde Vronsky, mas que junto a Levin encontra uma felicidade tranquila, substancial, feita de respeito e admiração mútuas. Levin, que tinha vivido muito angustiado e à procura de respostas, encontra o sentido da vida em simplesmente fazer o bem.

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