Preces de Outono
O Outono deixa-nos as folhas caídas no passeio de diferentes matizes, as bolotas nos caminhos, em breve as lareiras com a lenha a estalar crepitante. Ver àrvores despidas a abanar ao vento que não tem misericórdia nem da Natureza nem dos corpos. A busca permanente pela sorte seja em trevos de quatro folhas, em pulseiras de jade entretanto desaparecidas ou amuletos de olho de boi. As preces ditas de manhã ao acordar e ao deitar. Para que seja um dia bom, para que amar não seja equivalente a dor. Andar como piloto automático por diversos lugares e não se sentir completamente em nenhum. Como se estivesse a pairar em vez de estar com os pés bem assentes na terra. O que nos salva da tristeza e do desapontamento? O que nos desenha um sorriso genuíno no rosto? Sentir tanto causa mossa, causa feridas. E cada uma delas exige particular atenção. Às vezes não queremos olhar, queremos simplesmente seguir em frente, sem sentir mágoa, sem sentir dor. Mas, para voltarmos a nos sentirmos bem pre...