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A arte da vida

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Foto de Math ew Schwartz na Unsplash Na arte da vida Limpamos a ferida De esperar em vão De ser julgado sem coração Na arte da vida Fazemos a cama Mas não arrumamos a cabeça Para que o pior não aconnteça Estarmos sós com a nossa individualidade Com a nossa tristeza e saudade A nossa impotência e incapacidade De criar asas no acimentado chão

Bondade

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 Olho para trás e relembro Aqueles cálidos dias de Setembro Feitos de luz, feitos de esperança De adultos com sonhos de criança Olho para trás e sinto agora Não dor mas sim saudade De cada minuto, de cada hora Em que dobraste a minha vontade Olho para trás e sorrio Talvez porque sou hoje um rio tranquilo Talvez porque cada lágrima, cada dificuldade Trouxe consigo uma lição de vida e de bondade

Não te percas de mim

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Não vás nesse túnel escuro Não cedas às vãs tentações Não ergas entre nós um muro Feito de vergonha e de pressões Não estou aqui para te julgar Nem tampouco te dizer o que fazer Estou aqui para te escutar Para te tentar compreender Não deixes de me olhar Enquanto te seguro firme a mão Estás seguro agora neste lugar E levar-te-ei sempre no meu coração Expira o medo e a desconfiança Esquece a tristeza que vai e vem Inspira a coragem e a esperança E leva-me contigo também Nunca mudes o teu interior Mantém-te exactamente assim Não te percas da vida e do amor E nunca te percas de mim Imagem retirada de:  https://unsplash.com/photos/v9sAFGJ3Ojk

Plenitude

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Caí sem esperar, lentamente E depois tudo de uma vez Enredada numa teia eloquente Complexa como um jogo de xadrez Se pudesse falar toda a verdade Incauta, como uma criança Contava-te como pesa a saudade Que rouba toda o riso e esperança As noites sem descansar Desejando ter-te como abrigo De como o teu nome se veio a tornar O meu som favorito Sozinha sou um fragmento à espera no escuro Sozinha sou um espaço vazio cercada por muros Sou apenas mágoa e finitude E tu és o tudo, toda a plenitude Imagem retirada de Unsplash Fotográfo: J. R. Korpa

Olhar

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Olhos escondidos por detrás de lentes Dos óculos ou das de contacto Por causa de uma visão baça, deficiente Prisioneira de um objecto tão usado Os olhos revelam tudo por isso os escondo Hoje nada quero mostrar  A minha alma virou escombros Sem mais lágrimas para chorar A fonte secou O leite está derramado A amizade congelou O amor está condenado Vejo um espelho partido Feito de brechas coladas De pedaços estilhaçados de vidro E toda a nossa felicidade virou passado A nossa relação outrora tão fraterna é cinzas Prefiro a verdade do que a mentira mais piedosa Por isso nunca me mintas Nem me fales apenas por seres caridosa Getty

Desculpa

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Sei que te prejudiquei Por isso peço desculpa Agora vejo onde errei Está escrito em tinta difusa Numa fase de transição Senti-me pairar no firmamento Em ti depositei o meu coração Em ti encontrei o meu alimento Mas as rosas tinham espinhos que não vi Destinados a magoar-te Eu tentei correr para ti Mas não consegui salvar-te Agora talvez seja tarde demais Mas tenho de dizer o quanto lamento Os meus dias são todos iguais As minhas palavras leva-os o vento

Serás

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Não serás uma palavra mais No início da madrugada Não serás feito dos dias iguais Que me tinham aprisionada Tecer-te-ei de sonhos e ambição Não pisarei o risco estabelecido Não arriscarei nunca em vão Mas perderei o medo gelado do inimigo Construir-te-ei castelos e casas Nos artifícios do deserto, mar e céu Esperarei que nunca desfaças Tudo aquilo que é só teu Serás luz, pérolas, dia radioso Sol no meio da tarde invernal Serás o cataclismo mais piedoso Mais perfeito e fora do normal

Marca

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Palavras levadas ao vento Sem razão de existir No coração o mesmo desapontamento De querer ficar e ter de partir Nada se faz sem dificuldade Há que tentar mil vezes até ganhar Talvez já não tenha idade Para fechar os olhos e acreditar Alimentada em sonhos sorri Perdi-me no brilho das estrelas Lutei, aprendi e resisti Vi galáxias e cometas Em mim deixaste marca indelével Como a mais ardente tenaz Agora és a minha memória inatingível Que nem a vida nem a morte desfaz  Imagem retirada de: http://fc06.deviantart.net/fs70/f/2013/103/9/1/the_castle_by_the_sea_by_emilysoto-d61jurb.jpg

Transbordante

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Como um vulcão a entrar em actividade Como um poeta a entregar o seu coração Saí da sombra escura da clandestinidade E pousei os meus pés aflitos no chão Vi mitos a tornarem-se realidade Nada que se comparasse ao meu fulgor Sereias a existir de verdade Nada que se comparasse ao meu amor Temor de ver nos teus olhos coisa nenhuma A ausência de todo e qualquer afecto Do mar são a mais fina espuma Fazem de mim pobre coitada sem tecto Nós somos da dimensão do que sonhamos Não somos máquinas, somos ávidos de esperança Meros mas irrepetíveis seres humanos Cheios de vitalidade e de pujança  Do beijo mais puro Do cálice mais sagrado Provei quanto se tornou claro o obscuro E sem reparar fiquei ao teu lado O relógio bate numa só direcção E grita amor pleno e abundante Sem desenganos e solidão O mais mágico, o mais transbordante

Amar-te

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Amar-te no fundo do oceano No mistério quase profano No que nego e desconheço No castigo que sofro e mereço A um Deus oculto peço paz Nas voltas do tempo que se esvai Naquilo que a vida nos faz E nos torce, remoí e trai  Amar-te é uma arte feita de luz É um fio condutor cristalino De esperança que me conduz E torna o mundo mais pequenino Escalei as montanhas da amargura Do mais profundo e inexplicável horror Atravessei a tempestade mais dura E no final encontrei simplesmente amor  

Mar

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Nas águas límpidas da costa Azul opalino brilhante Mais além do que esta mostra O céu de cor mais bela e triunfante Areia quente debaixo dos pés Sol forte a bater na pele Percorrendo a baía de lés a lés A sentir o vento tão súbtil e leve Brisa agradável da tarde Que nunca se esquece Fogo que sempre arde E não mais esmorece Um sabor um pouco diferente Como um doce rebuçado Imenso, omnipresente O espantoso mar salgado  

Inesquecível

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Queria que fosses eterno, intemporal Abrigar-te em cada fio de cabelo Como rosa numa redoma de cristal Num amor intocável e tão singelo Almejo um dia em que sentimentos crescessem Poder libertar-me da dor e da má sorte Que os meus sonhos nunca esmorecessem Poder amar-te loucamente, até à morte Que fugir para bem longe fosse dito e feito Proteger-te do mal e ter-te só para mim Que a nossa história fosse um círculo perfeito Sem qualquer princípio, meio ou fim Somos opostos atraindo-se por fricção Alfa e ómega, palavras que ninguém disse Tempestade calma, paz em vulcão Eu o teu génesis tu o meu apocalipse És difícil de tocar, impossível de compreender Tão volátil e completamente imprevisível  Doce rebelde, nunca te consegui prender És simplesmente inesquecível

Impossível

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É real porque é tudo o que existe Floresce com um simples sorriso Apaga-se com um suspiro triste Quando não há um sinal amigo Vai bebendo a agonia da espera Da doce antecipação ao desconsolo Passos atrás são o fim de uma era Arrancam as sementes do solo Sabe-se que é errado transgredir Mas o aperto do não sufoca tanto Louca aventura que se vê ruir O riso quente é agora frio pranto As histórias mais belas são amores impossíveis Que o destino uniu e a mente separou Os danos são enormes, indescritíveis E nada se salva do que se menosprezou Se é amor porque não pode ser belo? Se é belo porque não há possibilidade? Não o confesso porque não quero Calo-o por orgulho e por dignidade