"Memória de elefante" de António Lobo Antunes

 



A personagem principal da obra é um médico psiquiatra que faz observações surpreendentes sobre a sua vida, como comparar uma paciente com esquizofrenia paranoide a Charlotte Brontë.
Utiliza figuras de linguagem muito interessantes como “felicidade de cirrose”, “iterícia de chá de limão” e “psoríase de ferrugem”.
O médico enfrenta o vazio muito doloroso das memórias de África, o ter visto a Pide bater em mulheres grávidas, o suicídio de um colega, os tiros constantes e todos os elementos que o fizeram sentir apátrida, nas suas próprias palavras, quando voltou a Portugal.
A nível pessoal e emocional, o psiquiatra está separado, tendo abandonado a mulher e as duas filhas. Vemos que ele quer ser forte, mas sente-se a ir ao fundo e nem o desejo de escrever, que acalenta há muito tempo, o consola.
A solidão absoluta, a depressão e a falta de sentido são três dos temas principais deste primeiro romance de António Lobo Antunes (1942-2026) que é um relato duro, lúcido e sempre fascinante.

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