Índios Hopi


Por Henry Peabody

Os índios Hopi são uma nação soberana de nativos americanos que vivem sobretudo no nordeste do Arizona (EUA), numa reserva rodeada pela nação Navajo. O seu nome, abreviatura de Hopituh Shi-nu-mu, significa em português "O Povo Pacífico" ou "O Povo do Bem".
As reservas originaram-se no final do século XIX e início do século XX pelo governo dos Estados Unidos neste terrritório na costa do Pacífico (norte de Arizona e parte do Novo México), onde o deserto árido se combina com uma frondosa vegetação.
Os Hopi são reconhecidos como agricultores pacíficos, com rituais ancestrais, pela cultura própria e pelos seus 12 clãs originais. Povo ameríndio, da família linguística yuco-asteca cultivam feijão, milho ou tabaco e alimentam-se também de caça, pesca e frutos silvestres. Fazem práticas religiosas do culto da chuva e são chamados "Índios Pueblo".
São tradicionais, defensores de profecias antigas e profundamente espirituais, acreditando que a vida é regida por um pacto sagrado de humildade e respeito pela Terra, de que devemos cuidar desde os nossos ancestrais. Dividem a história da Humanidade em Mundos, sete ao todo. Agora estaríamos no quarto.
Muitos antropólogos são da opinião que a sua origem é asiática, que cruzaram o estreito de Bering e a sua migração começou desde o final de Pleistoceno. Seriam, portanto, do tronco mongol.
O seu vestuário é um traje tradicional feito de faixas de desenho geométrico traçadas ou bordadas. Têm um eficiente sistema sistema de governo municipal e são considerados um exemplo muito rico da autêntica civilização mexicana. Os seus costumes não foram contaminados pelo contacto com outras civilizações como a americana ou espanhola. De modo que elementos como as suas crenças e folclore permanecem intactos.
Não poderíamos falar dos índios Hopi sem falar dos seus oráculos. Em primeiro lugar, eles acreditam no Grande Espírito Masau, pai dos pássaros, que leva de um lado a outro o destino dos homens e é o único que conhece os resultados das suas acções.
Os Hopi contam que a sua sabedoria lhes foi dada por seres vindos das estrelas, que eles representam em estátuas de cerâmica. Dizem que os seus conhecimentos e tradições foram adquiridos há milénios na sua terra natal, Kasskara, vítima de cataclismos vários e que se extinguiu no Terceiro Mundo.
Os antropólogos concluem que, segundo os Hopi, as transições entre um Mundo e o outro estão cheias de catástrofes de que se salvam uns poucos eleitos, depurações do Criador e sementes de uma nova Humanidade. O objetivo é restabelecer aos seres humanos um estado de paz, harmonia e equílibrio.
Os acontecimentos mencionados pelos índios Hopi podem ter a sua lógica interina e ser identificadas: o final do primeiro mundo, poderia estar a referir-se a uma extraordinária atividade vulcânica que aconteceu há cerca de 250 mil anos. A segunda catástrofe seria a era glacial, que afetou todo o hemisfério norte e que alguns datam de 100 mil anos atrás. Por fim, a última coincidiria com a tradição universal do dilúvio, que se poderia situar há aproximadamente 12 mil anos.
Para além de todas estas tradições, vemos a existência de lendas de mestres ou deuses cujos ensinamentos remontam sempre aos Hopi. No entanto, histórias parecidas não deixam de circular pela grandes culturas meso-americanas, e falam de Quetzalcoatl, ou serpente emplumada, Kukulchan, Viracocha, ou homem branco, entre outros. Também a idéia de diversos “mundos” subjaz na tradição maia e asteca, bem a de que o primeiro desapareceu por causa do fogo, outro pelo gelo e outro por um grande “dilúvio universal”.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O talento de Mira

A história de Marla

"Mental health and resilience - the secrets of inner strength | DW Documentary"