"Touro, Halcyon, Beber"
Filme: “O Touro Enraivecido” (1980): Realizado
pela mão suprema de Martin Scorsese, este filme versa sobre um pugilista, Jake
La Motta, cujo temperamento forte e obstinação cerrada lhe trazem tantas vitórias
no ringue como lançam a sua vida num espiral auto-destrutiva despoletada por
emoções turbulentas. A preto e branco, com momentos arrebatadores em que a
violência e o instinto de sobrevivência, acompanhamos os esforços de Jake para
se sagrar vencedor nos seus combates, os problemas no casamento e a
dificuldades que vê surgirem em todos os aspectos da sua vida. Numa
interpretação notável, Robert De Niro teve de treinar arduamente boxe durante
um ano e engordar 27 quilos para o papel de Jake La Motta, com o qual venceu o
Óscar de Melhor Actor. Com uma banda sonora marcante, “O Touro Enraivecido”
dá-nos a conhecer um homem comum, com qualidades e defeitos, num registo muito
humano. É considerado por vários críticos do cinema um dos melhores filmes de
todos os tempos.
Livro: “Beber: Uma hitória de amor” (1996) de Caroline
Knapp. A escritora e jornalita norte-americana Caroline Knapp conta nesta auto-biografia como passou décadas presa nas teias do alcoolismo, desde a infância de
insegurança e medo à juventude em que o álcool se tornou uma arma para
enfrentar melhor o mundo. Esta obra é, simultaneamente, um estudo sobre as
raízes do alcoolismo e a natureza humana. Caroline define-se como uma alcoólica
funcional, uma profissional competente nas horas de trabalho mas que era
totalmente dependente da falsa sensação de alegria e confiança trazidas pela
bebida. A autora descreve como o álcool provocava uma alteração química da sua
personalidade, com ramificações quase infinitas e desoladoras no seu
crescimento interior, nas relações interpessoais que estabelecia e na vida que ela
construía para si própria. É um relato
fascinante, sincero e comovente de uma jovem mulher que se auto-analisa e
critica abertamente, sem fazer concessões de qualquer tipo.
Caroline Knapp nasceu a 8 de Novembro de 1959. Formou-se
na Universidade de Brown com magna cum
laude (grandes honras) e foi colunista do Boston Phoenix por vários anos
onde criou a personagem fitícia Alicia K. Foi ainda editora da revista New
Woman e da Cosmopolitan britânica. Para além deste livro (“Drinking: A Love
Story” na versão original), escreveu “Alice K’s Guide to life: One woman’s
quest for survival, sanity and the perfect new shoes” (compilação das crónicas
do jornal acima mencionado), “Pack of two: The intricate bond between people and
dogs” (sobre a sua relação com o seu cão”, “Appetites: Why woman want”
(publicado já a título póstumo acerca da sua luta contra a anorexia no início
da idade adulta) e a colecção de ensaios “The merry recluse: A life in essays”.
Morreu a 3 de Junho de 2002, em Cambridge (Massachusetts, de cancro no pulmão,
com apenas 42 anos de idade. A honestidade pungente de Caroline e a sua escrita
especial com um olhar muito próprio sobre o mundo e a condição humana nunca
serão esquecidos.
Música: Ellie Goulding “Halcyon” (2012): No
seu segundo disco depois do bem-sucedido “Lights” (2010), Ellie Goulding lança
um trabalho que descreve como “muito emocional” e ainda assim “com esperança”,
como que “uma viagem da escuridão à luz e da confusão ao entendimento”. A
cantora e compositora inglesa explica que o nome do disco, Halcyon, remete a um
pássaro que durante o Inverno põe os seus ovos no mar e traz calma às águas
tempestuosas. O mar é, aliás, uma das grandes influências do album, que se
destaca pelo som mais tribal (que se aproxima a um hino) menos electrónico que “Lights”
e mais ligado a traços pop, ao piano e à voz de Ellie. Este é um album ousado, descrito
como “um passo à frente” na carreira da jovem cantora, “luxoriosamente épico
como Enya e dinâmico como Florence+ the Machine”. “Halycon” justifica o
estrelato recente de Ellie Goulding, consistindo numa amplificação
impressionante e bem criada da sua obra musical, que leva o seu selo pessoal
inconfundível. Entre as canções
mais emblemáticas salienta-se “Don’t say a word”, "Figure 8", “Hanging on” (com Tinie
Tempah), “My blood”, “I need your love (com Calvin Harris) e o primeiro single “Anything
could happen”.



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