Conseguir



Quando temos objectivos a cumprir, sentimos uma urgência em conseguir realizá-los. De repente é como se apenas a realização deles importasse e vemos a vida como um jogo de dados em que a nossa vitória depende do número que nos calhar. Às vezes temos sorte, noutras azar e nem sempre sabemos reagir bem ao fracasso. Idealmente, quando perdemos devíamos saber lidar com isso, aprender as lições, aceitar e seguir em frente. Não deveríamos recolher-nos sobre nós próprias como se tivéssemos medo de tudo, até da luz do próprio sol. Frequentemente entramos num processo de negação e temos vergonha dos nossos erros, somos como gato escaldado que testou a temperatura das águas e agora foge a sete pés da mesma provação. Então decidimos deixar de lado esse objectivo e fazer outra coisa qualquer que nos retire mesmo que temporariamente dessa angústia.
Quando voltamos a tentar somos como uma criança a dar os primeiros passos ou a soletrar as primeiras palavras: temos receio mas a vontade de ir mais além para ver o que se esconde para além das sombras medonhas é mais forte do que tudo. Nessa altura, aprendemos a acreditar no nosso valor, a não acreditar em que nos diz que não somos capazes, em ignorar o tempo perdido. Nada disso interessa quando se entende que o céu é infinito e que queremos pode ser nosso. Que na nossa vida podemos ser donos de uma maneira de ser, de uma personalidade sólida, de valores, de ética, de disciplina, trabalho árduo, afeição e um sorriso para dar a quem nos faz bem. Por isso, ao conseguirmos finalmente o que tanto desejamos temos o contentamento de ultrapassar mais um marco da nossa estrada e estar mais perto do sítio onde o nosso destino começa a revelar-se. 
Percebemos que não temos mais nada a esconder, que podemos alegrar-nos e festejar sem sermos punidos por isso. Essa conquista sabe-nos maravilhosamente, como água fresca a quem está a morrer de sede; dá-nos mais vida e faz-nos ver que há alguma justiça alugueres no espaço sideral. 
Compreendemos que não temos de carregar mais culpa desnecessariamente, que podemos ser um pouco mais livres e merecemos o bálsamo que acabámos de alcançar. Que temos motivos para continuar a batalhar pelo que verdadeiramente desejamos.
 



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